quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Foi

Digo-te que já passou. Já foi...Já foi e não volta. Não volta nunca mais. Nunca mais para te atormentar, nem fazer sonhar. Nunca mais para te fazer sorrir.
Os sonhos, embalados numa valsa de palavras quentes e ingénuas, quebram-se; deslaçam-se, desfazem-se em pedaços.
Não faz mal, é mesmo assim. É mesmo assim. Repete, mais uma vez, é mesmo assim. Não interessa o que poderia ser ou não ser; é mesmo assim. Como é. O vazio, frio, distante...apenas a ausência. Quem se importa? É mesmo assim.
Sonhos? O luxo dos pobres, para quê alimentá-los? Vamos arrumá-los,lá, naquele canto escuro e secreto, lá, no fundo do coração. Para quê? Se os guardarmos muito bem, pode ser que ganhem bolor, quem sabe...Eu já nada sei, já não me interessa. Pus o meu coração à venda e ele ganhou bolor; dizem que foi mal aproveitado. Eu já nada sei. Para quê saber? É mesmo assim...
Lamentos vãos. Palavras que a lado nenhum levam, que insistem em aparecer, que resistem ao bloqueio. Será possível hibernar emocionalmente? Sim. Inexplicavelmente sim! Sim, sim, sim. Não,não, não. Mas sim, muito provavelmente sim.É mesmo assim, acontece. Instala-se, cresce, acomoda-se mais um pouco e depois fica. A dormir.
Acessos de fúria, tal vulcão em erupção, controlados por um simples suspiro. E é isto que dura, um instante, uma noite agitada, um ápice, uma vida por vezes. Dura, até deixar de durar. Quem se importa? E os ombros encolhem-se, a dormir. É mesmo assim.

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