quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Écriture créative I - Le portrait

"Alors j'y vais" - pensait-il, en allumant sa cigarette.
Ses pas étaient allongés . fluides et pourtant ses longs doigts bougaient sans cesse. On dirait que ce mouvement était méchanique.
Le soleil, en train de se coucher, illuminait ses cheveux dorés et fins. D'un mouvement ailé, sa vigoureuse main pinçait les cheveux, produissant ansi un geste profond et distant.
Son port était distinct et mystérieux, il nous donnait l'impréssion d'être face à quelqu'un d'inaccessible. Cependant, cet air noble constratait avec la légèreté de sa marche et des mouvements décoordonés de son corps.
En observant son visage d'un peu plus près, on voyait ses sourcils se froncer et ses yeux fixés dans le vide. Cela, n'était pas un regard inaccessible; il s'agissait plutôt d'une éxpression sereine.
Son sac-à-dos en cuir rempli de livres ne se fermait pas et balançait en suivant le mouvement du porteur.
La cigarrete finie, il chercha un banc et s'assit près de la riviére. C'était son moment préféré de la journée: il se perdait en regardant la rivière, qui coulait comme toujours, et en écoutant aussi la symphonie urbaine d'un Paris toujours frénétique.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Là-bas, Je Ne Sais Où... // Gare de Colónia




Véspera de viagem, campainha...
Não me sobreavisem estridentemente!
Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro
Do comboio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do estômago,
Antes de pôr no estribo um pé
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir.
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida.
Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela?
Que importa?
Todo o Universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela.

Sabe-me a náusea próxima o cigarro. O comboio já partiu da outra estação...
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que não veio despedir-se de mim,
Minha família abstrata e impossível...
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida!
Ficar como um volume rotulado esquecido,
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha.
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida —
"E esta? Então não houve um tipo que deixou isto aqui?" —
Ficar só a pensar em partir,
Ficar e ter razão, Ficar e morrer menos...

Vou para o futuro como para um exame difícil.
Se o comboio nunca chegasse e Deus tivesse pena de mim?

Já me vejo na estação até aqui simples metáfora.
Sou uma pessoa perfeitamente apresentável.
Vê-se — dizem — que tenho vivido no estrangeiro.

Os meus modos são de homem educado, evidentemente.
Pego na mala, rejeitando o moço, como a um vicio vil.
E a mão com que pego na mala treme-me e a ela.

Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.

Partir! Meu Deus, partir! Tenho medo de partir!...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Foi

Digo-te que já passou. Já foi...Já foi e não volta. Não volta nunca mais. Nunca mais para te atormentar, nem fazer sonhar. Nunca mais para te fazer sorrir.
Os sonhos, embalados numa valsa de palavras quentes e ingénuas, quebram-se; deslaçam-se, desfazem-se em pedaços.
Não faz mal, é mesmo assim. É mesmo assim. Repete, mais uma vez, é mesmo assim. Não interessa o que poderia ser ou não ser; é mesmo assim. Como é. O vazio, frio, distante...apenas a ausência. Quem se importa? É mesmo assim.
Sonhos? O luxo dos pobres, para quê alimentá-los? Vamos arrumá-los,lá, naquele canto escuro e secreto, lá, no fundo do coração. Para quê? Se os guardarmos muito bem, pode ser que ganhem bolor, quem sabe...Eu já nada sei, já não me interessa. Pus o meu coração à venda e ele ganhou bolor; dizem que foi mal aproveitado. Eu já nada sei. Para quê saber? É mesmo assim...
Lamentos vãos. Palavras que a lado nenhum levam, que insistem em aparecer, que resistem ao bloqueio. Será possível hibernar emocionalmente? Sim. Inexplicavelmente sim! Sim, sim, sim. Não,não, não. Mas sim, muito provavelmente sim.É mesmo assim, acontece. Instala-se, cresce, acomoda-se mais um pouco e depois fica. A dormir.
Acessos de fúria, tal vulcão em erupção, controlados por um simples suspiro. E é isto que dura, um instante, uma noite agitada, um ápice, uma vida por vezes. Dura, até deixar de durar. Quem se importa? E os ombros encolhem-se, a dormir. É mesmo assim.

Dream within a dream